quarta-feira, 10 de junho de 2009

Projeto de Vivência Paz se Aprende - Os pacifistas - Madre Tereza de Calcutá



O DIA DA INSPIRAÇÃO
Visão espiritual mudou sua vida

O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o ´dia da inspiração´. Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres.

Ela relatou tal inspiração assim: “Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível. Tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim...”

A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres?

Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho mas, manifestação da vontade de Deus.

Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida.A Irmã aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: “Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus”.

Voltou as lides diárias, apesar do carinho das alunas e a amizade das companheiras, isso não lhe fez esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.

Mas, algo de extraordinário ocorreria com Madre Teresa, que lhe motivaria a procurar novamente, um ano depois, o mesmo Acebispo Mons. Fernando Périer, desta vez mais resoluta que antes. Ela havia tido uma visão espiritual.

Motivada pela visão paranormal que houvera experienciado, Teresa, levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Tereza. Mas, desta vez, quando foi por ele questionada e novamente aconselhada para desistir, ela com firmeza lhe revelou a visão que tivera: “Eu vi a face de Cristo no rosto de um pobre na rua de Calcutá”.

A convicçao da revelação demonstrada por Teresa, sua simplicidade, fervor e persistencia convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: ” Peça primeiro autorização à Madre Superiora”.

Teresa escreveu uma carta expondo o seu plano de vida, sustentando a revelação que tivera da face de Cristo. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: “Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs.”

Teresa de Calcutá, torna-se então a primeira freira da história do catolicismo a deixar o convento, abandonar a ordem e ser liberada para uma missão independente.

Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, adornado de azul, cor das vestes das mulheres mais simples da Índia, e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz.

Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a ensinar e pouco a pouco o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta.

Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa!

Mas o início foi duro. Ela sentiu a angústia terrível da solidão.

Em 1949, Irmã Teresa dá início à sua congregação, chamada de Missionárias da Caridade, sendo aprovada pela Santa Sé em 01 de fevereiro de 1965. A partir desta data, sua congregação começa a expandir-se por outras regiões, alcançando depois 123 países do mundo.

Em 1979, depois que recebeu o prêmio Nobel da Paz, foi convidada a uma audiência com o Papa João Paulo II de onde sai proclamada a “embaixadora” do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do mundo.

Madre Teresa de Calcutá é uma das personalidades, que melhor representa a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os homens.

Até que, em cinco de setembro de 1997, um novo ataque cardíaco a faz partir, aos 87 anos.

Comoção mundial. Autoridades dos mais diversos países se associaram ao sentimento de perda. Na Índia, uma fila sem fim se formou em frente à igreja de São Tomé, em Calcutá, onde estava o corpo da religiosa. O velório durou mais de uma semana e a missa de corpo presente foi celebrada em um estádio, na tentativa de acolher o maior número possível de admiradores. No cortejo fúnebre, o corpo foi conduzido no mesmo veículo que, havia quase 50 anos, carregara o corpo do Mahatma Gandhi, outro grande pacifista. Partia Madre Teresa de Calcutá, um exemplo como poucos de uma vida iluminada, em favor da justiça social e pela paz.

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