quarta-feira, 10 de junho de 2009

Projeto de Vivência Paz se Aprende - Os pacifistas - Francisco de Assis


Francisco de Assis

BIOGRAFIA
Mensageiro da compaixão

Um dos maiores pacifistas da humanidade em todos os tempos, Francisco de Assis nasceu na Itália, entre 1181 e 1182. Filho de um rico comerciante de tecidos que costumava viajar à França em busca de produtos (o nome, que substituiu ´Giovanni´, foi uma homenagem do pai, Pedro, e da mãe, dona Pica Bernadone, ao país vizinho), teve uma infância e uma adolescência plenas de recursos materiais, sendo preparado pela família para assumir, no futuro, os negócios do pai.

Esse era um caminho natural: prosseguir o trabalho como comerciante. Mas a profissão de fé daquele jovem o levaria a trilhar outros caminhos.

Desde muito cedo, Francisco, ao mesmo tempo em que promovia festas e banquetes para seus jovens, se mostrou um idealista, insatisfeito com a realidade social que o cercava e desejoso por mudanças. A certa altura, o povo de Assis, cansado de sofrimento e miséria, se revoltou contra os nobres da cidade. E, em vez de ficar ao lado de sua classe social, Francisco defendeu a movimentação popular, entrando em conflito com a própria família. A revolta popular não tardou a ser reprimida, e Francisco acabou preso, por cerca de um ano, até que seu pai pagasse pela liberdade do filho.

Dentro do contexto europeu de transição do feudalismo para o capitalismo burguês, a Itália vivia um tempo de muitos conflitos, A Itália, como toda a Europa daquela época, vivia uma fase bastante conflitiva de sua história, com as comunas livres (pequenas cidades) entrando em atrito com os feudos, cujos senhores passaram a ter seu poder questionado. Pedro Bernadone, pai de Francisco, era comerciante em uma dessas comunas, e seu filho desejava, além do poder econômico, conquistar um título de nobreza. Para isso, teria de lutar em uma das constantes batalhas entre feudos e comunas.

Assim, em 1201, sob o estímulo do pai, Francisco tornou-se cavaleiro e lutou contra a cidade de Perugia, que declarara guerra à comuna de Assis. Acabou, porém, sendo feito prisioneiro. Ficou encarcerado por cerca de um ano, só sendo solto depois que teve sua liberdade ´comprada´ pelo pai. Retornou doente a Assis, em decorrência do clima e dos maus tratos na prisão,

e convalesceu durante meses.

Apesar de tudo, ousou ainda ingressar em uma segunda companhia militar: o exército que o Conde Gentile de Assis organizava para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses da Igreja. Na ânsia de entrar para o restrito círculo da ´nobreza´, o pai de Francisco mais uma vez apoiou a empreitada. Mas logo no início do itinerário do exército, Francisco experienciou o que seria descrito como um contato divino. Era, tinha certeza, o senhor quem lhe falava:

- Francisco, a quem queres servir: ao servo ou ao Senhor?

- Ao Senhor, é claro! - respondeu o jovem.

- Por que insistes então em servir ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá te será dito o que deves fazer!.

Mesmo enfrentando a humilhação na volta à cidade, Francisco entendeu, então, a pequenez do sonho mundano de tornar-se nobre. Finalmente compreendeu sua verdadeira missão, vislumbrando sua real possibilidade de interferência na realidade. Atravessou uma transformação pessoal, que incluiu longos períodos de recolhimento, longe da cidade, e a prática cada vez mais intensa da caridade e da oração. Passou a reconhecer nos mais fracos, pobres e doentes verdadeiros irmãos, a quem deveria ajudar a resgatar do sofrimento. Uma certeza exemplificada na atitude de, certo dia, abraçar e dar dinheiro a um leproso, que sempre lhe despertara repugnância. Era a prova de sua mudança, carregada de humildade e amor ao próximo.


MENSAGENS INESQUECÍVEIS

"Deus altíssimo e glorioso vem iluminar as trevas do meu coração.
Concede-me, senhor, a fé verdadeira, a esperança firme e a caridade perfeita.
Concede-me o sentido penetrante e a clara visão necessária para cumprir tua santa vontade, que não me poderia perder."
Amém.

“Cântico do Irmão Sol”

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás
sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e
tribulações.
Bem aventurados os que sustentam
a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão
coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado
mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes á tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade."

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